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Ensino Fundamental teve evasão elevada

Escrito por Marcel Hartmann para Zero Hora26 de Nov de 2021 às 10:16
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7,5% dos estudantes do 5º ano do Ensino Fundamental e 9,9% dos alunos do 9º ano potencialmente abandonaram as aulas Foto: Tânia Rêgo / ABR.
 
 

Um estudo realizado por Tribunais de Contas dos Estados, divulgado ontem, mostra que, em abril, um ano após o início da pandemia de coronavírus, 7,5% dos estudantes brasileiros do 5º ano do Ensino Fundamental e 9,9% dos alunos do 9º ano não interagiam com as escolas - portanto, potencialmente abandonaram as aulas.

Antes da pandemia, o acesso à etapa era universalizado: 99,7% das crianças dos seis aos 14 anos, faixa etária que frequenta o Fundamental, estavam matriculadas, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) compilados pelo Movimento Todos pela Educação.

O levantamento, conduzido em 1.180 cidades pelo Instituto Rui Barbosa, que reúne os tribunais de Contas, e pelo Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional (Iede), mostra que a permanência nos estudos de alunos brasileiros do 5º ano do Fundamental é maior do que de alunos do 9º ano, que, por sua vez, é melhor do que no 3º ano do Ensino Médio.

Especialistas já vinham chamando a atenção para os riscos de que o ensino remoto aumentasse o abandono dos estudos. Mas o grande índice de alunos fora da escola no Ensino Fundamental, com alunos mais jovens, na faixa etária dos seis aos 14 anos, saltou aos olhos dos responsáveis pela pesquisa.

- Duas coisas chamam a atenção: um ano depois da pandemia, já que a data de mapeamento é abril, muitos alunos ainda não participavam no sistema educacional. E chama a atenção como isso é forte já na primeira etapa do Ensino Fundamental (seis aos nove anos de idade) - destaca Ernesto Faria, diretor-executivo do Iede.

O estudo enviou questionários às prefeituras indagando o número de estudantes na ativa em abril deste ano e exigiu provas, com documentos, de que os jovens estavam estudando. Quando o aluno não respondia havia duas semanas, técnicos consideravam que ele potencialmente havia abandonado as aulas. A auditoria foi feita por servidores dos tribunais de Contas. A análise não revela o desempenho por Estado, apenas por região.

Os resultados conversam com pesquisa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), que mostrou que 5,5 milhões de brasileiros abandonaram os estudos na pandemia.

Disparidade

A adesão ao ensino remoto foi maior nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste e menor no Norte e Nordeste. Isso ocorre porque a educação está diretamente relacionada à riqueza da família, dizem especialistas. Além disso, regiões mais ricas tendem a ter melhor acesso à internet.

- É grande a possibilidade de afastamento desses estudantes, seja porque não se investiu para aproximá-los do ensino, seja pela dificuldade de acesso à internet - diz Cezar Miola, presidente do Comitê de Educação do Instituto Rui Barbosa e conselheiro do Tribunal de Contas do Rio Grande do Sul (TCE-RS).

No Ensino Médio, de responsabilidade dos Estados, a pesquisa só analisou 10 unidades da Federação - não houve cálculo de quantidade de abandono de estudos a nível nacional. Para os alunos do 3º ano do Ensino Médio, o abandono é elevado: se a adesão na etapa foi de 90,2% nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, caiu para 75,6% no Norte e Nordeste.

Os principais desafios, alertam os especialistas, é buscar os alunos que largaram a escola e convencê-los a voltar. Para isso, governos precisam tornar a escola mais atrativa, o que depende de melhoras na infraestrutura e no currículo.

Leia reportagem sobre o tema no Correio do Povo

   

 

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