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Parentes de agentes públicos de Canoas estavam na folha de pagamento do Gamp

Entidade foi afastada da gestão da saúde na cidade por suspeita de desvios de R$ 40 milhões

Escrito por José Luís Costa - jornal Zero Hora13 de Dez às 16:00
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Grupo de Apoio à Medicina Preventiva (Gamp) foi afastado pela Justiça por suspeita de desviar R$ 40 milhões. (Foto: Ronaldo Bernardi / Agência RBS).
 
 

Afastado pela Justiça de Canoas por suspeita de desviar R$ 40 milhões que deveriam ser investidos em dois hospitais e seis postos de saúde, o Grupo de Apoio à Medicina Preventiva e à Saúde Pública (Gamp) empregou familiares de agentes públicos do município. Foram pelo menos oito contratações, entre elas a de Zeneide Tanara Manea, ex-cunhada do prefeito Luiz Carlos Busato (PTB). Conforme o Ministério Público (MP), as admissões não obedeceram a critérios técnicos, mas sim indicações políticas.

Entre junho de 2017 e julho de 2018, Zeneide, irmã da ex-mulher de Busato, atuou como coordenadora administrativa no Gamp com salário de R$ 10,7 mil. Foi desligada após a reportagem “Farra das Terceirizadas”, de Giovani Grizotti, que foi ao ar no programa Fantástico, da TV Globo. A reportagem revelou que o Gamp estava contratando indicados por políticos em cidades onde atua.

A saída de Zeneide ocorreu quase que simultaneamente com a de Murilo Groenwald dos Santos. Ele começou a trabalhar para a entidade em outubro de 2017, mas perdeu o emprego dias após a exibição da reportagem pelo Fantástico. Murilo, que recebia R$ 4,8 mil mensais, é sobrinho da secretária da Saúde de Canoas, Rosa Maria Groenwald, afastada da função por 120 dias por ordem judicial após a operação do MP que apura desvios no município.

Cassius Francisco Alves da Fonseca, admitido em maio de 2018 com salário de R$ 8 mil, seguia no Gamp até o mês passado. Ele é irmão da mulher do secretário adjunto da Saúde de Canoas, Marcos Juliano Ferreira, também afastado do cargo pelo Judiciário.

De junho de 2017 a fevereiro de 2018, Bruna Leindecker fez parte da secretaria-executiva no Gamp, com vencimento de R$ 3,2 mil.

A mãe dela, Rubia Leindecker, integrou a coordenadoria administrativa a partir de abril de 2018 pelo salário de R$ 6,4 mil. Elas são filha e mulher do sargento da reserva da Brigada Militar (BM) Gerson Luís Fraga Leindecker, responsável pela Diretoria de Mobilização Social, cargo em comissão vinculado ao gabinete do prefeito.

 

MP avalia caso a caso possíveis denúncias

Nathalia Bittencourt, filha do secretário de Direitos Humanos de Canoas, Alexandre de Rodrigo Bittencourt, prestou serviços administrativos ao Gamp por quatro meses em 2017 e recebeu R$ 40 mil. Cadastro da Receita Federal mostra que a empresa de Nathalia foi aberta em junho (em meio à execução do trabalho).

A mãe dela, Marcia Simone Freitas Machado, mulher de Bittencourt, foi gerente de faturamento da entidade pelo salário de R$ 10,2 mil. Fernanda Garcia Fortes foi contratada em junho de 2017, com vencimento mensal de R$ 3,1 mil, como assistente de secretária pelo Gamp.  Ela tem um filho com Robson Tiago Borges, titular da subprefeitura Noroeste de Canoas.

Para o promotor João Afonso Beltrame, a contratação de parentes de políticos soa como troca de favores. O texto da denúncia apresentada pelo MP à 4ª Vara Criminal de Canoas diz: “o Gamp contratou para trabalhar em seus quadros diversas pessoas que possuem relação familiar ou de parentesco com agentes públicos integrantes da administração municipal de Canoas, tratando-se, à toda evidência, de contratações por direta interferência política, configuradoras de benefícios indevidos tanto aos contratados como aos agentes públicos envolvidos”.

O MP diz que estuda caso a caso. Conforme Beltrame, há possibilidade de apresentar denúncia contra agentes públicos por crimes de prevaricação, peculato e organização criminosa.

 

CONTRAPONTOS

 

O que diz a prefeitura de Canoas

Informou, por meio da assessoria de  imprensa, que não se manifestaria.

 

O que diz o Gamp

A empresa que fazia assessoria de imprensa do grupo deixou de atendê-lo após a operação do Ministério Público. GZH não localizou representante para falar sobre o assunto.

 

O que diz Cassius Francisco Alves da Fonseca

“Trabalho no setor privado do Gamp. Sou coordenador de convênios. Há 11 anos trabalho na saúde. Passei por processo seletivo, tenho formação superior e MBA. Estou muito chateado, tenho dificuldade de entender o que (você) está fazendo comigo.”

 

O que dizem Murilo Groenwald dos Santos, Fernanda Garcia Fortes, Nathalia Bittencourt, Marcia Simone Freitas Machado e Rúbia Leindecker

GZH telefonou para todos, mas ninguém atendeu ou retornou recado.

 

O que diz Bruna Leindecker

Atendeu ao primeiro chamado e, após saber do que se tratava, desligou. Depois, não atendeu mais. Não retornou recado deixado por GZH.

 

O que diz Zeneide Tanara Manea

GZH ligou para o telefone dela. Outra pessoa atendeu e negou conhecê-la.

   

 

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