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Estudo revela ensino ineficiente nas escolas de Porto Alegre

Análise do TCE mostra que apesar de alto investimento, Ideb está entre os mais baixos do país

Escrito por Editoria de Ensino do Correio do Povo02 de Jun às 12:20
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Análise do TCE mostra que Ideb está entre os mais baixos do país. Foto: Marcos Santos/CP.
 
 

Porto Alegre foi a capital com maior investimento por aluno na rede municipal de Ensino Fundamental entre 2008 e 2015. A cidade investiu 35% a mais do que São Paulo e 56% a mais que Curitiba, segunda e terceira capitais no ranking. Estes recursos aplicados, no entanto, não refletem qualidade de Ensino. A constatação é de um estudo de mais de 400 páginas conduzido pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e apresentado ontem à Secretaria Municipal de Educação (Smed).

A pesquisa revelou que, em 2015, Porto Alegre ocupou apenas a 22ª e a 17ª posições no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) nos anos iniciais e finais do Ensino Fundamental, respectivamente. Com relação ao percentual de atingimento da meta individualizada, a Capital foi ainda pior. Ficou com a 25ª (penúltima) e 21ª colocações nas séries iniciais e finais. Desde 2007, quando o Ideb foi criado, a cidade teve a 22ª e 17ª posições na variação de percentual.

De acordo com o auditor do TCE, Vinícius Lacerda, responsável pelo estudo, o Ensino Fundamental de Porto Alegre é “ineficiente e ineficaz”. Isso porque um dos principais destaques do estudo foi a constatação de que existe uma grande disparidade entre insumos, quantificadores socioeconômicos e resultados educacionais. “Como causa deste cenário, verificamos que há um desalinhamento entre a política educacional até então praticada pela Smed e as melhores práticas recomendadas tanto pela literatura quanto por outros municípios que já avançaram mais em matéria educacional”, disse.

Uma das práticas apontadas como pouco eficientes em Porto Alegre é a forma como os professores são selecionados: através de provas objetivas e de títulos. De acordo com o auditor, a maioria dos estudos que analisam aspectos que impactam o aprendizado mostra que o principal é a habilidade verbal do professor. Por isso, recomenda-se que sejam feitas avaliações orais durante os concursos públicos, o que não acontece na Capital.

O secretário municipal de Educação, Adriano de Brito, disse que a Smed estava ciente da maioria dos números apresentados devido a diagnósticos realizados por outros organismos. Ele salientou que a compilação do TCE foi bem feita e que coincide com o plano de trabalho da Secretaria. “São investigações que alimentaram o nosso projeto. Nós começamos com a reorganização de rotinas escolares e vamos caminhar com projeto de formação de professores, desenho de currículos, tratamento das habilidades socioemocionais e formação de gestores”, adiantou. Para ver o vídeo da divulgação dos dados, clique aqui.

Clique aqui para acessar o estudo na íntegra

Dados 2015

• R$ 530 milhões investidos no Ensino Fundamental;

• R$ 15.408,56 investidos por aluno;

• 34.432 matrículas;

• 1.922 professores;

• 17,91 alunos/professor (média);

• 73,71% de professores pós-graduados;

• 100% de professores efetivos;

• R$ 1.355,38 de remuneração para 20 horas;

• Investimento de 107,10% além da alta dos preços medida pelo IPCA desde 2007.

*Dados do TCE e Censo Escolar 2015

 

   

 

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